“Com base no fato de que o governo do Irã está seriamente fragmentado, o que não é inesperado, e a pedido do marechal Asim Munir e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes possam apresentar uma proposta unificada”, disse Trump. Mas o presidente americano afirmou que, enquanto as negociações prosseguem, os EUA manterão o bloqueio marítimo ao Irã, classificado como “ato de guerra” por autoridades iranianas.
“Determinei que nossas Forças Armadas mantenham o bloqueio e permaneçam prontas e preparadas, e assim estenderei o cessar-fogo até que a proposta [do Irã] seja apresentada e as discussões sejam concluídas”, postou Trump.
A segunda rodada de negociações entre Irã e EUA em Islamabad continuava em suspenso, após autoridades iranianas não confirmarem participação e o vice-presidente americano, J. D. Vance, ter postergado sua viagem ao Paquistão. A decisão teria relação com a falta de avanço em demandas americanas e à incerteza sobre a ida da delegação iraniana a Islamabad, segundo o jornal The Wall Street Journal.
Uma autoridade iraniana afirmou que Teerã rejeitava conversas se os EUA não suspendessem suas ameaças. A autoridade disse à Reuters que o Paquistão, mediador das negociações, estava empreendendo esforços para que Washington abandonasse o bloqueio marítimo e libertasse a tripulação e a embarcação iraniana Touska, apreendida no domingo (19). O funcionário de
Teerã disse também que os EUA estavam “criando novos obstáculos todos os dias em vez de tentar resolver as divergências” para acabar com a guerra.
Em entrevista à TV americana CNBC na manhã desta terça-feira, Trump havia afastado a possibilidade de prorrogar o cessar-fogo. “Não quero fazer isso [estender a trégua]. Não temos tanto tempo assim”, afirmou ele, que disse nesta segunda-feira (20) que “o tempo não era seu adversário” nas negociações.
“Acho que vou bombardear, porque acho que é uma atitude melhor. Mas estamos prontos para agir. Quero dizer, os militares estão loucos para agir”, afirmou.
Trump falou pouco depois de os militares dos EUA anunciarem que haviam abordado um petroleiro iraniano em alto-mar, em águas internacionais. A ação pode dificultar a retomada das negociações de paz com o Irã, que já afirmou que não negociará enquanto Washington mantiver um bloqueio de seus portos.
Antes do anúncio de Trump da extensão da trégua, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, definiu o bloqueio americano como um “ato de guerra e, portanto, uma violação do cessar-fogo”. “Atacar uma embarcação comercial e fazer sua tripulação refém é uma violação ainda maior”, disse o chefe da diplomacia de Teerã.
INTERCEPTAÇÃO
Os militares dos EUA disseram que abordaram o petroleiro Tifani, ligado ao Irã, “sem incidentes”. A embarcação reportou sua última posição na manhã desta terça-feira próxima ao Sri Lanka, no oceano Índico, de acordo com dados de rastreamento do site de monitoramento de navios MarineTraffic. Ela estava carregada com 2 milhões de barris de petróleo bruto e havia sinalizado Singapura como seu destino.
“Como deixamos claro, buscaremos esforços globais de fiscalização marítima para interromper redes ilícitas e interceptar embarcações sancionadas que fornecem apoio material ao Irã -onde quer que operem”, disse o Comando Central dos EUA.
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Nas redes sociais, Trump disse que o Irã havia cometido inúmeras violações do cessar-fogo, sem dar mais detalhes. Ele afirmou à CNBC que o bloqueio havia sido um sucesso. “Vamos acabar fechando um grande acordo, eles não têm escolha.” O republicano manteve o discurso otimista, dizendo que os EUA estão em uma “posição de negociação muito forte”.
O Irã bloqueou o estreito de Hormuz para todos os navios, exceto os seus. Havia anunciado na última semana que reabriria a passagem, mas reverteu essa decisão no sábado (18) depois que Trump se recusou a suspender seu bloqueio aos portos iranianos.
Isso deixou o estreito fechado e privou o mundo dos 20 milhões de barris de petróleo que normalmente o atravessavam a cada dia.
Uma primeira sessão de negociações, há dez dias, não produziu acordo, e Teerã vinha descartando uma segunda rodada depois que os EUA se recusaram a encerrar seu bloqueio e apreenderam um navio de carga iraniano no domingo (19). Trump ameaçou atacar a infraestrutura civil do Irã se nenhum acordo for fechado.
Um funcionário iraniano disse na segunda-feira que Teerã estava “avaliando positivamente” sua participação, mas enfatizou que esperava para ver se suas exigências seriam atendidas, incluindo o reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio, até aqui uma linha vermelha para Washington.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, publicou no X dizendo que o Irã tem “se preparado para mostrar novas cartas no campo de batalha” nas últimas duas semanas e “não aceitará negociações sob a sombra de ameaças”. Mais tarde, um assessor de Ghalibaf afirmou, também no X, que a extensão da trégua por Trump era um “plano para ganhar tempo” para um ataque surpresa ao Irã.
Os preços do petróleo recuaram cerca de US$ 0,30 e as ações se recuperaram no mercado financeiro da Ásia com expectativas de que as negociações de paz serão retomadas, com as ações europeias também em alta. O petróleo havia saltado cerca de 6% na segunda-feira devido à incerteza pairando sobre as negociações.
PROGRAMA NUCLEAR IRANIANO É QUESTÃO CRUCIAL
Trump quer um acordo que impeça novas altas nos preços do petróleo e choques no mercado financeiro, mas insistiu que o Irã não pode ter os meios para desenvolver uma arma nuclear. Ele quer que o Teerã abra mão de seu estoque de urânio altamente enriquecido, que pode, caso enriquecido ainda mais, ser usado para produzir uma ogiva nuclear.
Já Teerã espera explorar seu controle do estreito para fechar um acordo que evite a retomada da guerra e suspenda as sanções, enquanto mantém seu programa nuclear, que afirma ser para fins pacíficos.
Em publicação em rede social, Trump mencionou mais um tema de negociação nesta terça-feira: pediu que o Irã liberte oito mulheres que estariam presas sob pena de morte no país, embora não tenha especificado quem seriam elas. Em resposta, o Irã negou que essas mulheres estejam condenadas à morte.
“Aos líderes iranianos, que em breve estarão negociando com meus representantes: gostaria muito que essas mulheres fossem libertadas. Seria um grande começo para nossas negociações”, escreveu.
Milhares foram mortos por ataques americano-israelenses ao Irã e por uma campanha paralela de bombardeios israelenses e invasão do Líbano. A guerra causou um choque histórico no fornecimento global de energia e temores de que a economia global possa ser empurrada à beira de uma recessão.
Fonte: : Notícias ao Minuto
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