A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) negocia com entidades representativas do setor na Argentina, no Uruguai e no Paraguai uma proposta para definir como será dividida entre os países a cota de exportação de carne bovina do Mercosul para a União Europeia.
A ideia é estabelecer limites diferentes de acordo com a atuação de cada país no mercado europeu. Argentina e Uruguai possuem maior participação nas exportações de carne bovina resfriada, enquanto Brasil e Paraguai apresentam maior presença no segmento de carne congelada.
Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, a proposta considera a capacidade produtiva e o histórico de exportações de cada país. A entidade brasileira avalia, por exemplo, a possibilidade de Argentina e Uruguai terem uma participação maior na cota destinada à carne resfriada, enquanto Brasil e Paraguai poderiam contar com maior volume para carne congelada.
A proposta também prevê uma divisão percentual dos volumes, considerando fatores como capacidade de produção, participação no mercado mundial de carnes e presença de cada país no mercado europeu.
Cota chegará a 99 mil toneladas
O Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e o Mercosul estabeleceu uma cota total de 99 mil toneladas de carne bovina para os países do bloco. Desse volume, 55% serão destinados à carne resfriada e 45% à carne congelada.
A cota será ampliada gradualmente ao longo dos anos até alcançar o volume total previsto no sexto ano de vigência do acordo.
Em 2026, considerado o primeiro ano de implementação, o volume proporcional aos oito meses de vigência será de 11 mil toneladas. Para 2027, a cota sobe para 33 mil toneladas; em 2028, chega a 49,5 mil toneladas; em 2029, a 66 mil toneladas; em 2030, a 82,5 mil toneladas; e, em 2031, alcança as 99 mil toneladas.
Dentro da cota estabelecida pelo acordo, a tarifa aplicada às exportações será de 7,5%.
Divisão entre os países ainda está em negociação
A Abiec já realizou reuniões com entidades do setor no Uruguai, Argentina e Paraguai para discutir uma proposta conjunta. Após um eventual consenso entre as quatro associações, a definição deverá ser analisada pelo Foro Mercosul da Carne (FMC), que reúne representantes das cadeias produtivas dos países do bloco.
Posteriormente, a proposta deverá ser encaminhada aos respectivos governos para avaliação e implementação.
A divisão da cota entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai ainda não foi definida. Enquanto representantes argentinos e uruguaios demonstram abertura para discutir o modelo proposto pelo Brasil, o Paraguai defende uma divisão igualitária, com 25% do volume total para cada país.
A expectativa da Abiec é que as negociações avancem nas próximas semanas. Segundo Roberto Perosa, um prazo de 30 a 40 dias pode ser suficiente para que os países busquem um entendimento sobre a divisão da cota.
A definição será importante para determinar como Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão utilizar os volumes destinados às exportações de carne bovina para o mercado europeu dentro das condições estabelecidas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia.
Fonte: tvriomadeira
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