O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, realizado nesta quinta-feira (24), é acompanhado com atenção pelo agronegócio brasileiro, principalmente pelos possíveis efeitos sobre o comércio de soja e carnes. Análises divulgadas antes da reunião apontavam que eventuais mudanças nas tarifas poderiam alterar o fluxo de compras chinesas, mas sem modificar de forma imediata a posição do Brasil como importante fornecedor do país asiático.
Brasil e Estados Unidos disputam espaço no mercado chinês principalmente em produtos como soja e carnes. No caso da soja, a China mantém uma tarifa adicional de 10% sobre o produto americano, além da tarifa regular de 3%, enquanto a soja brasileira está sujeita apenas à tarifa de 3%. Uma eventual redução dessas barreiras poderia aumentar a competitividade da soja norte-americana e alterar temporariamente o fluxo de compras chinesas.
Dados divulgados pela Exame mostram que, até julho de 2026, a China havia importado 44,53 milhões de toneladas de soja brasileira, alta de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, as compras de soja dos Estados Unidos caíram 31,2%, para 10,7 milhões de toneladas.
A produção brasileira também ganhou espaço durante o período de tensões comerciais entre Washington e Pequim. Segundo análise publicada pela Folha, o Brasil produz cerca de 180 milhões de toneladas de soja por safra, enquanto os Estados Unidos permanecem na faixa de 120 milhões de toneladas. A China, por sua vez, deve importar cerca de 115 milhões de toneladas no ano.
Carnes também estão no centro da disputa
No mercado de carnes, os Estados Unidos buscam ampliar as vendas para a China, mas enfrentam limitações relacionadas à produção e ao acesso ao mercado. Dados divulgados pela S&P Global indicam que a China renovou licenças de exportação para mais de 500 frigoríficos norte-americanos após uma reunião entre Trump e Xi realizada em maio.
No caso da carne bovina, os Estados Unidos registraram queda expressiva nas exportações para a China. Até 17 de setembro de 2026, as vendas americanas para o mercado chinês somavam 7,8 mil toneladas, contra 35 mil toneladas no mesmo período de 2025.
O Brasil também disputa com os americanos mercados como algodão, milho e sorgo. Ao mesmo tempo, produtos brasileiros como celulose e açúcar possuem forte presença no mercado internacional e têm participação relevante nas compras chinesas.
Efeito sobre os preços
Uma retomada mais intensa das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos pode influenciar os preços internacionais das commodities. No caso da soja, uma maior demanda pela produção dos Estados Unidos tende a afetar as cotações na Bolsa de Chicago, com possíveis reflexos também sobre o mercado brasileiro.
Após o encontro entre Trump e Xi, a soja fechou em queda em Chicago nesta quinta-feira. Segundo a CNN Brasil, o mercado esperava novas sinalizações sobre o comércio agrícola entre os dois países, mas não houve anúncios concretos que atendessem às expectativas dos investidores.
O cenário indica que as relações comerciais entre Estados Unidos e China continuam sendo acompanhadas de perto pelo setor agrícola brasileiro, especialmente pelos possíveis efeitos sobre preços, demanda internacional e competitividade das exportações.
Fonte: tvriomadeira
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