Os outros dois eram de Paulo Humberto Barbosa, que comprou a parte de Toffoli no Tayayá, e de Luiz Osvaldo Pastore, empresário da mineração que levou o ministro a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em novembro.
Procurado por meio da assessoria do tribunal e de interlocutores, o ministro não se manifestou.
Os indícios de que Toffoli fez as viagens estão no cruzamento dos dados de passageiros que acessaram o terminal de aviação executiva de Brasília ao longo de 2025 com os de deslocamento de servidores da equipe de apoio a ministro do STF.
Em 27 de fevereiro, Toffoli chegou ao terminal às 9h40. Segundo dados da Aeronáutica, uma aeronave que pertencia à empresa de Pastore decolou às 10h25 para Ourinhos (SP), onde fica o aeroporto mais próximo a Ribeirão Claro (PR), município onde está localizado o Tayayá.
Na véspera do voo, três servidores do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) foram enviados a Ourinhos e Ribeirão Claro para “prestar apoio em segurança e transporte para autoridade do STF”.
A reportagem não localizou Pastore.
O avião dele foi comprado em junho de 2025 por Alberto de Faria Jerônimo Leite, empresário próximo de Toffoli que comprou o Fundo Arleen, ligado ao Master, e com ele 15% de participação no Tayayá.
Ao Estadão, Leite afirmou que vendeu a participação em julho para Paulo Humberto Barbosa e não tem mais qualquer relação com o negócio. Ele relatou que aceitou se desfazer do resort porque lhe foi oferecido um valor maior do que pagara meses antes. As cifras não foram reveladas.
Barbosa, por sua vez, é o proprietário do avião que saiu de Brasília às 10h25 de 17 de junho rumo a Ourinhos. A entrada de Toffoli havia sido registrada no aeroporto 25 minutos antes. O TRT-2 enviou quatro servidores para “apoio” ao ministro entre os dias 16 e 22 daquele mês.
Quatro meses antes, Barbosa havia comprado a parte do Tayayá que pertencia à Maridt, empresa familiar de Toffoli. O ministro deixou de ser sócio do empreendimento em 21 de fevereiro quando a venda para Barbosa foi formalizada. Os valores nunca foram divulgados.
Como revelou o Estadão, Barbosa recebeu aporte de R$ 25,9 milhões da J&F em período próximo ao da compra. Ele e o conglomerado afirmaram que o pagamento tem a ver com honorários, sem nenhuma relação com o resort.
Procurado novamente, Paulo Barbosa não retornou a tentativa de contato. Anteriormente, ele chegou a negar que Toffoli fosse um sócio oculto do Tayayá.
Os documentos do aeroporto indicam que o terceiro voo foi realizado em 4 de julho, às 10h10, dez minutos após a entrada de Toffoli no aeroporto. Apesar de a aeronave da Prime ter como destino Marília, cidade natal do ministro, o TRT-2 disponibilizou segurança e transporte para “autoridade do STF” em Ribeirão Claro desde a véspera, dia 3. A existência desse voo foi inicialmente publicada pela Folha de S. Paulo.
Há ainda um segundo voo da Prime para Marília, realizado às 11h15 do dia 21 de março, quarenta e cinco minutos depois da entrada de Toffoli no aeroporto. Nesse período, o TRT-2 informa que só disponibilizou equipe de apoio para atuação em Marília.
Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi sócio da Prime até setembro de 2025, quando o banco dele sob investigação. Essa participação societária foi vendida a um fundo gerido pela Trustee, que é uma gestora de fundos também ligada ao Master, de acordo com as investigações da Polícia Federal.
Ao todo, a lista de passageiros que acessaram o terminal de Brasília em 2025 conta com 13 registros da presença de Toffoli. As anotações têm variações de grafia do nome do ministro e do documento apresentado por ele no momento da entrada.
A relação do ministro com o resort
Dias Toffoli tornou-se sócio do Tayayá em 2021 por meio de uma empresa familiar criada em sociedade anônima e na qual só os irmãos dele apareciam como donos.
Como sócio do negócio, Toffoli vendeu um pedaço da participação ao fundo de investimentos Arleen, ligado a Daniel Vorcaro.
Esse fundo tinha como único cotisto o fundo Leal, que por sua vez tinha como único cotista o pastor da igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Ambos estão presos.
Outros ministros do STF
Dias Toffoli não é o único que teria utilizado aviões operados pelo grupo Prime, de acordo com registros documentais. Os ministros Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques também viajaram em aviões da empresa.
Moraes e sua mulher Viviane Baci pegaram ao menos oito voos entre maio e outubro de 2025.
Conforme mostrou o Estadão, Alexandre de Moraes viajou de Brasília para São Paulo em agosto de 2025 em um avião da companhia e, no dia seguinte, reuniu-se com o banqueiro, segundo mensagem de Vorcaro enviada a então namorada.
Moraes acessou o terminal de aviação executiva do aeroporto de Brasília às 19 horas do dia 7 de agosto de 2025, segundo dados enviados à CPI pela Inframérica, administradora do aeroporto da capital federal. Era uma quinta-feira, após sessão plenária do STF.
Às 19h16, decolou um avião da empresa FSW PSE, que tem Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro entre os sócios. A reportagem teve acesso a um documento ao qual o piloto que conduziu a aeronave Falcon 2000, da FSW, neste dia afirma categoricamente que o ministro Alexandre de Moraes não esteve a bordo.
Em seguida, um voo da Prime, empresa que teve participação de Vorcaro até setembro de 2025, partiu de Brasília para o Aeroporto de Congonhas. O Phenom 300, de prefixo PR-SAD, decolou às 20h05 e aterrissou às 21h33.
O terceiro voo com destino a Congonhas realizado pela aviação privada em Brasília, no dia 7 de agosto, partiu às 20h29. Era uma aeronave da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso.
Um dia após embarcar em Brasília, o ministro teve uma reunião com Daniel Vorcaro. Ao menos foi o que o banqueiro relatou em conversa com a ex-namorada Martha Graeff, encontrada no celular dele e obtida pela CPI do INSS.
Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que pertence a empresa que administra os bens do banqueiro Daniel Vorcaro, a Prime You. O magistrado foi a uma festa de aniversário na capital alagoana a convite de uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master e assumiu ser a responsável por arcar com os custos da viagem.
Procurado pelo Estadão, o ministro confirmou a viagem e disse que foi convidado para o aniversário da advogada Camilla Ewerton Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1).
“No dia 14/11/25, o ministro Nunes Marques e a esposa viajaram para festa de aniversário de Camilla, casada com o desembargador Newton Ramos, que foi colega do ministro no TRF-1. Camilla convidou o ministro e outros casais de amigos e ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem”, afirmou em nota.
Fonte: Portal Terra
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